White: The Melody of the Curse

“Aposto que ninguém sabe o que os ídolos fazem…”

Introdução

Nos meados de 2010 surgiram os primeiros boatos, que explodiram em 2011. Conhecido como “o novo filme de terror da Eunjung, do T-ARA”, o filme “White: The Melody of the Curse” ganhou significativamente em marketing. Contando uma história já batida, o filme acompanha altos e baixos, o que pode significar decepção para um nicho mais exigente de fãs, mas nada que comprometa a diversão.

Sinceramente, não consigo ter medo de filmes de terror. Longe de mim querer exaltar um falso excesso de coragem que não tenho ou algo do tipo. Porém, o cinema de terror, e incluo a promissora escola asiática, atualmente baseia-se em sustos triviais em seus espectadores. Minha referência de medo encontra-se em filmes como “O Iluminado”, dirigido por Stanley Kubrick. E ainda na franquia de jogos eletrônicos “Silent Hill”. Esse último, representante legítimo do terror asiático.

O que isso significa? “White…” é muito bom em dar sustos, mas péssimo em colocar medo. Medo é uma sensação mais profunda, que martiriza aquele que a sente e permeia seu imaginário por um bom tempo, algumas vezes permanentemente. Já o susto nada mais é do que uma sensação passageira, que em algum momento você não mais irá recordar e talvez até ria futuramente.

Não entendam mal, eu tomei muitos sustos com “White…”, mas não passou disso. Há quem diga que o filme é uma obra prima do terror, mas eu discordo. Assim sendo, afirmo que é um péssimo filme de terror, porém um bom filme no contexto geral. Vocês devem achar que sou louco. Afinal, como um filme de terror, que falha em sua principal intenção, causar medo, pode ser bom? Simples, o filme possui alguns méritos relevantes.

Sempre ouvi dos meus mentores para tomar cuidado com “A Experiência Primeira”. Um conceito filosófico utilizado cientificamente para que o pesquisador não caia no erro de julgar pela simples aparência, ao primeiro contato. No senso comum, seria algo como “as aparências enganam”. E foi justamente isso. Pelas minhas convicções do que é terror, em uma primeira sessão eu achei o filme de ruim para mediano, porém, ao revê-lo para escrever esse review, pude compreendê-lo em sua totalidade e absorver um pouco da sua real mensagem a ser passada.

Enredo
Aviso de Spoilers: Se ainda não assistiu e não quer estragar surpresas, sugiro que pare por aqui. Caso não tenha assistido ainda, mas quer saber mais sobre o Filme, fique à vontade.

“Fracassadas e com o cerco no mundo do entretenimento se fechando cada vez mais, o grupo ‘Pink Dolls’ se encontra no fundo do poço. Tal situação começa a se reverter no momento em que sua empresária, através do patrocinador do grupo, adquire um novo estúdio para ensaios.

Tudo aparentemente se mantinha na normalidade, até a descoberta de uma fita, contendo uma música escrita originalmente alguns anos antes. Sem um dono, o grupo investe suas últimas fichas nesse fio de esperança.

O sucesso é instantâneo. A vaidade aos poucos começa a corroer o grupo, em paralelo com estranhos acontecimentos. Somando-se ao fato que a real dona viria reclamar seu direito sobre o som.”

Antes de prosseguirmos, gostaria de lhes apresentar à canção amaldiçoada do filme, em sua versão original.

Imagem de Amostra do You Tube

Percebe-se desde o momento que a história possui aquele elemento já marcado em produções orientais, como “Ringu”, “Ju-On” e “Shutter”; conhecidos no Brasil como “O Chamado”, “O Grito” e “Espíritos – A Morte está ao seu lado”. Um fantasma busca vingança devido um incidente do passado, que o deixou ligado ao plano terreno.

Caso dependesse apenas desse fator, o filme seria horrível. Usarei novamente aquela palavrinha que tanto adoro adotar em meus textos: clichê. Aqui temos essa ferramenta utilizada de forma extremamente ineficaz, arcaica e repetitiva. Os sustos são previsíveis e a película falha terrivelmente em reproduzir e expressar horror. E não me chamem de sádico, mas algumas cenas de morte acabam por ser engraçadas.

Por outro lado, o filme é extremamente eficaz em abordar um tema pouco falado pelas grandes mídias: a relação interna das grandes empresas e como seus ídolos agem nos bastidores. Para uma produção que estava possuindo grande destaque, essa foi uma decisão extremamente arriscada, poderia ser um tiro no pé. É justamente essa ousadia que diferencia “White…” de seus co-irmãos de histórias amaldiçoadas.

Passei a interpretar o filme de outra forma, com teor dramático, onde o terror é apenas um detalhe. A intenção é focar no interior de um grupo famoso, em sua dinâmica e em suas relações interpessoais. Incrível como desse momento em diante o filme ganhou outra face, parecia renovado.

A película foi extremamente capaz de apresentar a vaidade de um grupo do K-pop, ambientar que existem, sim, as brigas e disputas internas. Apontar como determinado artista, grupo ou empresa pode ser minado de dentro para fora, caso não controle esses pequenos focos de crise. Quebra o mito do mundo perfeito, onde todos são amigos e felizes. As cenas de “bullying” que ocorrem são o retrato disso, levando o espectador a pensar com que frequência isso ocorre na realidade.

A abordagem sombria que o Diretor utilizou casou perfeitamente com algumas situações. Talvez o ponto máximo disso seja quando Eun-Joo (Eunjung) vai até seu patrocinador, já que queria saber a verdade por trás dos incidentes e acabou por se tornar a nova cantora principal do grupo. Para mim passou uma sensação enorme de melancolia, como alguns artistas podem chegar baixo para atingir certos objetivos.

Interpretação

Aqui novamente divido o filme em dois. Nos aspectos que deveriam ser de terror, algumas cenas são extremamente engraçadas(!). A cena que Shin Ji (May Doni Kim) é pendurada pelos cabelos me rendeu boas gargalhadas. E o que dizer da morte da Empresária (Pyeon Jung-Su), que tem o rosto queimado?

Não pelas circunstâncias, mas pelas atuações. O que deveria ser algo sério e assustador, foi feito de forma caricata. Talvez as duas únicas cenas de morte que podem ser chamadas de chocantes, são a cena em que Eun-Joo é pisoteada pela plateia e a cena onde as outras meninas do ‘Pink Dolls’ ingerem alvejante para se suicidar.

Realmente não sei se atualmente entre os produtores, roteiristas e diretores de filmes de horror há alguma convenção onde é definida isso. O ridículo sobrepõe a seriedade, sendo que deveria ser o contrário. A tensão deveria estar em primeiro lugar. O que imortalizou filmes como “A Nightmare on Elm Street” e “Child’s Play”, conhecidos por aqui como “A Hora do Pesadelo” e “Brinquedo Assassino”, que mesmo possuindo certa dose cômica, tiraram as noites de sono de muita gente? Essa seriedade, o limiar entre fantasia e real. “White…” falhou nisso, infelizmente.

Em contrapartida, ao analisar os momentos “documentários” sobre “a verdade por trás da verdade”, temos encenações convincentes. Eunjung novamente conseguiu personificar alguém que é humilhado, porém que também pisa quando chega ao auge. As outras atrizes também não falham no momento de assumir o papel de carrasco e até mesmo a empresária é convincente ao tratar as meninas de forma rígida e, até certo ponto, exploratória. Papéis pequenos, como do coreógrafo e engenheiro de som, também são muito bem feitos e condizentes com a realidade.

Então qual foi o erro de “White…”? Foi o de não se definir. O filme assumiu o papel de terror com toques de drama, quando na verdade é o oposto que apresenta.

Aspectos técnicos

Está ai um ponto que gostei. A produção do ponto de vista técnico foi excelente.

Filmes do gênero são geralmente filmados majoritariamente em locações escuras, dificultando a visualização de cenas e nos fazendo aumentar o brilho da televisão para ver o que ocorre na tela. Para não sofrer com isso, e ter conclusões o mais concretas sobre esse ponto, busquei a versão em 720p do filme. Não me decepcionei. Até mesmo em cenas bastante escuras, os contornos dos personagens ficavam visíveis, sem a necessidade adicional de mudar as configurações do televisor.

O nível de detalhes também é absurdo. Dá para ver as gotículas de suor formadas nos rostos dos personagens, ferimentos mínimos, parte das roupas (como lantejoulas), lágrimas de formando e todo o tipo de coisa. Por menores que sejam, estavam destacáveis e não precisaria de um “caçador de detalhes” para encontrá-los.

O jogo de câmeras também ficou excelente. Visões panorâmicas, de perfil, close-ups e todo tipo de ângulo. É difícil encontrar um defeito significativo nesse ponto. Os quadros valorizaram bastante algumas cenas! Duvidam? Vejam então a performance original da canção “White”, mais parece um “Live MV” para o som. O Diretor foi cirúrgico nessa questão é seria injustiça criticar negativamente esse aspecto.

Vejam com seus próprios olhos.
(Para melhor visualização, sugiro que assistam em 720p. Se o seu monitor apresenta suporte, pule para 1080p.)

Imagem de Amostra do You Tube

Não existe uma grande trilha sonora no filme. Pessoalmente não achei um cd, nem mesmo um single. O que encontramos são apenas quatro músicas, sendo elas três versões de “White…” e “BANG!”, do After School. Nessas três versões de “White”, uma só é encontrada nos créditos, a versão retrô (a primeira que postei, logo no começo do texto), há essa que apresentei no último vídeo e a versão de estúdio.

Vale ressaltar ainda que a versão de estúdio da música-tema é muito boa. Parece ter sido criada para casar com o conceito do filme. É confusa, com algumas coisas escondidas, porém definitivamente deliciosa de ouvir. De um violão desafinado às frequências distorcidas, tudo para reproduzir o que vemos em tela.

Andei brincando com alguns editores de som e encontrei algumas frequências de som um tanto diferentes, os famosos “easter eggs”. Coloquem seus fones de ouvido, fechem os olhos e deixem essa música invadir suas mentes. Garanto que irão viciar depois de ouvir no mínimo três vezes.

Imagem de Amostra do You Tube

Conclusão

Eu sinceramente não sei se amo ou odeio esse filme. Pelos fatores que descrevi acima, não consigo afirmar. Odeio com todas as forças esse terror previsível, porém amo de paixão esse lado mais cru, que busca mostrar uma suposta real convivência dos K-idols. Talvez realmente o filme deva ser interpretado assim, como uma sátira.

Uma sátira? Sim. Apesar de ser uma simples suposição da minha parte, parece que o Diretor e os roteiristas mais quiseram fazer uma crítica velada à indústria feroz do K-pop. A maldição de “White” pode ser interpretada como ao modo que alguns agem nos bastidores, a personificação da vaidade e egoísmo, onde o trabalho de grupo é dilacerado.

Quantas “Eun-Joos” não existem por ai, clamando em um grito silencioso de socorro? Quantas humilhações não devem ter passado para chegar no posto que estão? Quantas não devem estar sendo humilhadas nesse exato momento. Gosto de acreditar que, no fim das contas, “White…” seja isso, um filme que nos trás à reflexão.

Talvez o horror do filme seja apenas uma linguagem poética. Quem garante que a “Maldição de White” não se instaurou em alguns grupos reais? O medo de vermos grupos que gostamos encontrar seu fim, possivelmente esse também seja um tema que os roteiristas quiseram abordar. Ainda há aqueles atos que ignoramos, preferimos não acreditar… Não posso afirmar categoricamente, estou especulando, mas foram essas conclusões que alcancei ao rever esse filme pela terceira vez. A interpretação é minha, então convido vocês a apresentarem suas conclusões.

O saldo do filme é positivo. E mesmo não sendo perfeito, está acima da média. Algumas coisas enriquecem ainda mais o cenário geral, como a excelente aparição do After School, interpretando o grupo “Pure” e aproveitando para divulgar a contagiante canção “BANG!” (minha favorita delas).

Vou me abster de dar uma pontuação, pois é a primeira vez que sinto falta de segurança em avaliar algo. Por ser um filme totalmente subjetivo, talvez seja mais interessante que vocês tirem suas próprias conclusões. Portanto, convido os leitores a postarem suas impressões aqui sobre o filme e discutirmos nossas interpretações.

Obrigado e até a próxima leitura.

PS: Está quente aqui, não?

Ficha Técnica
Filme: White / White: Melody of Death / White: The Melody of the Curse (tradução literal)
Romanização: Hwaiteu: Jeojooui Mellodi
Hangul: 화이트: 저주의 멜로디
Diretor: Kim Gok, Kim Sun
Escritores: Kim Gok, Kim Sun
Produtor: Yoo young-Sik
Data de Lançamento: 9 de Junho de 2011
Tempo de execução: 106 min.
Gênero: Horror
Distribuidor: CJ Entertainment
Ídioma: Coreano
País de origem: Coréia do Sul

Sobre Sagaz'

Sagaz, alcunha e adjetivo.

Futuro professor, pseudo-filósofo, escritor amador e boleiro. Viciado em leitura e café.

Twitter: @sgz7

There are 17 comments

    1. Rebecca Jung

      Ngm sabe de nada ainda,talvez seja só um ataque de “estrelinha” da Hwayoung,e se Hyomin,Eunjung e Jiyeon n gostavam dela mas nunca sequer a agrediram(fisicamente ou verbalmente)?Ninguém pode a julgar,pq ngm sabe a verdade!Eu sinceramente n sou fã de T-ara,nunca gostei…mas sinto q os fãs delas n são fãs de verdade por estarem acreditando em qualquer coisa q ouvem por aí!Esperem a poeira abaixar e a verdade vir a tona pra tomarem alguma atitude…essa historia de Bullyng(eu seila como se escreve)está mto mal contada,se for assim SNSD vive fazendo bullyng com os membros pq vivem se batendo(de brincadeira,pq sei q elas se adoram)..Mas se acontecesse com SNSD eu iria esperar até saber a verdade!E isso td pode ser um golpe de publicidade da CCM…Eu tenho mas pena de Eunjung,Hyomin e Jiyeon por estarem sendo tão julgadas sem nenhuma prova,doq dessa Hwayoung,q está se fazendo mto de vitima pro meu gosto!¬¬’

  1. Thais Brenda

    Eu adoro seus reviews, sério. Difícil encontrar alguém por ai que seja honesto e se necessário fale a verdade dolorosa. Já ví o filme e não me assustei, mas os dois reviews que lí ‘pagavam pau’. Amei o seu :D

  2. Letícia Vasconcelos

    Gostei da escolha do review que bate exatamente com a atual crise do T-ara.
    Por mais que eu evite ver filmes de terror sozinha, acho que vou arriscar ver esse, pois por causa dos problemas atuais e das crises dos idols creio que esse filme vai me fazer refletir melhor.

  3. Mariana R. G.

    Quando você puder, assista “The Housemaid”, versão de 1960.
    Algumas pessoas dizem que foi o melhor filme coreano feito até agora!
    Prende bem a atenção! É suspense e não terror.
    Fizeram uma nova versão em 2010, mas não sei se é tão boa quanto a primeira.
    Outra coisa: tem como você colocar o link ou o nome do site que você baixa os filmes, por favor?!
    Obrigada

    1. Sagaz'

      Obrigado pela leitura! Sua sugestão já foi anotada.

      Sobre o filme, minha fonte maior é o Google. Não encare como ironia, pois não é. Não possuo um site específico, tento garimpar por blogs e trackers de torrent. Minha prioridade é sempre baixar o filme em HD real, não upscale mal feito, o que é difícil em sites brasileiros.

      Os arquivos de mídia são fáceis de encontrar, o difícil são as legendas em pt-br. No caso de “White…”, eu precisei adaptar a legenda da versão dvdrip e “resincronizar” para a versão Blu Ray.

      Mesmo assim, sugiro o site AsiaTorrents. Encontro 90% das coisas que procuro lá.

      Espero ter ajudar e novamente agradeço pela leitura. ^^

  4. u.u

    nhaaa, eu estou louca pra assistir esse filme, mas não encontro nenhum fansub pra baixar ou assistir online legendado :// SE SOUBEREM ONDE POSSO ENCONTRAR LEGENDADO, POR FAVOR, ME PASSEM O LINK ÇÇÇÇ

    1. Sra.HimChan

      bom er.. não tem assim pra assistir o white eu tbm queria mas tem que baixar tem um site que esqueci o nome que critica o filme é no final dá o link pra baixar ele legendado em pt br

Poste o seu comentário