An Introduction to Architecture

101

Título: Introduction of Architecture; Architecture 101; Geonchukhakgaeron
Gênero: Drama, Romance
Direção: Lee Yong Joo
Ano: 2012

Como bom leitor, meu pai sempre me disse que nós nunca procuramos um livro, o livro é que nos acha. Não é mentira da parte dele, desde pequena o acompanho nas livrarias, muitas vezes o vi pegar um exemplar por acaso, gostar da sinopse, levar para casa… e depois de um tempo era normal vê-lo comentar sobre a obra de forma apaixonada.

Às vezes acho que isso acontece comigo também, não só com livros, mas com os doramas e com filmes (eu sei que não é uma comparação muito boa, mas se encaixa perfeitamente no que eu sinto).  E quando acontece eu fico extasiada. Sei que dramas e a maioria dos filmes que eu assisto nem passam uma mensagem tãããão grande e profunda assim, porém eu me permito refletir, tirar uma lição de tudo.

Esse momento de “encontro” aconteceu comigo depois de ver An Introduction to Architecture.  Dentro das várias lições que eu poderia tirar e repassar para vocês, leitores do kpopNOW, preferi ser egoísta e mostrar aquilo que cabe apenas em mim.

101

Fase adulta: Uhm Tae Woong (Seung Min) e Han Ga In (Seo Yeon)
Fase jovem: Lee Je Hoon (Seung Min) e Bae Suzy (Seo Yeon)

Vamos à história: Yang Seo Yeon decide procurar o arquiteto Lee Seung Min, um antigo colega de faculdade, para fazer o projeto de reconstrução de sua casa, na ilha de Jeju.  Acontece que esse encontro faz com que antigos sentimentos retornem e os protagonistas se sentirão, de certa forma, pressionados para resolver as arestas remanescentes.

Eu poderia abordar várias temáticas. Poderia falar sobre como muitas coisas na vida parecem ter prazo de validade, ou melhor, momentos certos para acontecerem e desaparecerem. Não adianta tentar resolver certos problemas, ou tentar reconquistar uma pessoa em tempos futuros, porque nada permanece inalterado, os sentimentos mudam, as pessoas mudam, os objetivos mudam. Lição essa que Seo Yeon aprendeu a duras penas.

101

Também poderia falar em como somos influenciados a pensar em um ideal de felicidade e como este é ilusório. A jovem Seo Yeon ao perguntar como estaria após decorridos dez anos, responde que seria uma locutora, dj de rádio, casaria-se com alguém rico, moraria em um pequeno duplex, teria dois filhos e um cachorro. Bem, boa parte do “plano infalível” pode não ter dado certo, porém ela se casou com um médico e levava uma vida estável. Estável, infeliz e vazia. Seung Min podia não ser o melhor arquiteto das redondezas, mas estava de casamento marcado com uma garota rica, iria se mudar para os Estados Unidos. E era igualmente infeliz e vazio.

Contudo, para mim, o que mais chamou atenção nesse filme coreano foi a simbologia da casa. Pegando o gancho na arquitetura, mostrando as várias formas de projeção, é interessante como um lar ganha diferentes significados. O primeiro tem a ver com status social: Seo Yeon vem de Jeju e por isso é hostilizada por seus colegas de curso em Seul. Portanto, na primeira oportunidade que tem, muda-se para Gangnam. Nem se trata de uma morada confortável, mas sim de um cubículo. Todavia é em Gangnam (preciso dizer mais alguma coisa?). Seung Min mora em Jeongneung Dong e odeia, justamente por não se tratar de um lugar onde pessoas abastadas vivem. Tanto na fase da juventude, quando já adulto, o protagonista questiona a mãe sobre o fato de porque não se mudam dali. Na primeira vez a resposta envolve apenas a questão econômica, mas, quando já idosa, responde que não se acostumaria com outro lugar e que já havia criado laços com aquele espaço. Ambas as respostas não convencem Seung Min, talvez por ainda estar preso a uma ideia de que, se morasse em um lugar diferente, teria um status melhor.

101

Porém, a concepção que mais me tocou foi a casa com o significado de recomeço. Seo Yeon procurou Seung Min para reformar a casa onde ela cresceu e por muito tempo rejeitou, em troca da ilusória vida ao lado do médico rico em Seul. Agora na fase do divórcio e com o pai doente, não restaram sonhos para serem realizados, ficou apenas a vontade de começar alguma coisa, qualquer uma, a partir do zero, de onde ela veio.

E por que eu disse que este review seria egoísta? Pelo fato de eu já ter morado em alguns lugares e como cada um tem um significado importante para mim, mas nenhum supera a casa dos meus pais. Eu estava lá, sendo paparicada por eles nas minhas enormes férias de duas semanas quando assisti a An Introduction to Architecture e me identifiquei com Seo Yeon mudando o projeto de reconstrução da casa em Jeju a todo momento. Ela não queria nada arrojado, diferente, moderno, ou coisa parecida. Ela só queria um espaço para ela e o pai, apenas. Seo Yeon e eu entendemos que não existe melhor lugar no mundo que a nossa casa. Não precisa ser um castelo, nem estar localizado em alguma área nobre. Só precisa ser nossa casa.

page

O filme proporciona uma deliciosa viagem aos anos noventa da Coreia do Sul. O figurino, o que eram as novidades tecnológicas na época, o ambiente universitário, tudo é bastante envolvente!

page1

An Introduction to Architecture é bem focado em seu par principal, porém é importante destacar dois personagens secundários: Nap Teuk – I ( Jo Jung Suk), o fiel amigo e conselheiro de Seung Min, tem um dos momentos mais hilários do filme explicando o que é um beijo de verdade.

101

Jae Wook (Yoo Yeon Seok), amigo de ambos protagonistas, é o responsável pelo desentendimento do casal em um dos momentos mais tensos do longa.

101

A trilha sonora é leve e apropriada para o filme, mas nada tão memorável. A música principal é Etude of Memories, interpretada por Kim Dong Ryul:

Imagem de Amostra do You Tube

#Curiosidade: Foi realmente construída uma casa em Jeju para as gravações do filme. Tempos depois, ela foi adaptada e virou um café, o Café Seoyeon’s House, aberto em 27 de março de 2013 e atualmente uma das atrações turísticas da ilha.

12

Confesso que comecei a assistir a esse filme por causa da Bae Suzy (Dream High) e da Han Ga In (The Moon That Embraces The Sun), nem esperava grandes emoções e tive uma grata surpresa. Foi um filme que me achou e deixou uma lição em mim.

page

Sobre Maíra

Kpopper e dorameira desde 2010. Costumo escutar muitas coisas, então considero que pertenço a vários fandons sem participar de nenhum efetivamente.

There are 2 comments

  1. Mikael Schwind

    Esse filme é mt bom! Assisti quando tava começando no K-Pop,logo depois de ver Dream High 1 e 2. Uma historia emocionante e muito boa! E fala tambem do filme Always,com o So Ji Sub e a Han Hyo Joo!!
    PS:Review muito bem feito. Organizadíssimo e de qualidade. Continuem assim ;))

Poste o seu comentário